Betinho diz que Confiança atual tem mais qualidade e quer mais títulos

Foto: João Áquila

Foto: João Áquila

O técnico Betinho já provou que sabe lidar com pressão. Quando chegou ao Confiança teve como missão reverter um ambiente pesado e transformar a qualidade técnica do time em resultados. Conseguiu. Foi campeão sergipano e subiu o Dragão para a Série C do Campeonato Brasileiro. Agora, com o clima todo azul no Sabino Ribeiro, quer mostrar que ele e o clube podem mais.

– Com toda dificuldade que existe, mas nós podemos fazer coisas grandes. Eu sempre digo para os atletas e diretoria: por que não? Não existe limite. Por que não sermos campeões da Copa do Nordeste, bicampeão sergipano, da Copa do Brasil e da Série C? É difícil? É! Impossível? Não – refletiu Betinho.

Para administrar o grupo ele usa a diplomacia e para se relacionar com os torcedores e a imprensa ele passa serenidade. Em uma entrevista ao GloboEsporte.com, Betinho não fugiu das suas características. Foram 25 minutos explicando como pretende fazer o Confiança voar mais alto; sobre os treinadores brasileiros; e como lida com o fato de ter nas mãos o time a ser batido no Estadual.

– Acho isso importante em qual sentido: meus atletas sabem que vamos ser a equipe a ser batida na competição. Vão querer evitar o bicampeonato, os adversários vão querer mostrar que podem bater o Confiança. Ainda aviso aos meus atletas, os outros jogadores estarão doidos para jogar cima do nosso time, vocês vão deixar que isso aconteça, né?

Confira a entrevista na íntegra

Você fez história no Confiança em pouco tempo de trabalho, o Betinho tem a dimensão do que conseguiu alcançar nesta última temporada?

– O dia a dia te dá esta noção. O carinho dos torcedores por onde você passa, sempre nos param para nos agradecer pelo que conquistamos no ano passado, então você passa a ter a noção do quanto foi importante para o clube.

Nas últimas temporadas, houve sucessivas trocas de técnico no Confiança, você acabou contrariando esta estatística, daqui a dois meses completa um ano de trabalho. É uma estabilidade que ajuda o técnico desenvolver um bom trabalho?

– A gente sabe que no futebol o treinador só vai permanecer se ganhar no domingo e também na quarta-feira. A gente sabe o quanto é difícil. Existem exemplos de outros estados onde se tem uma permanência do técnico. Se você pegar o Sampaio Correia, com o Flávio, que passou muito tempo. Mas infelizmente na cultura do brasileiro os resultados são quem diz se o trabalho foi ou não bom. Neste sentido fico feliz em continuar e com perspectiva de permanecer até o final do ano conquistando mais títulos.

Olhando o elenco atual, você avalia que ele é mais forte do que o de 2014?

– Eu estou satisfeito com o início do trabalho. Todos se apresentaram em boa forma. Em 2014, quando cheguei, já existia um grupo e acrescentei poucas peças na Série D. Agora não, foi basicamente formado com uma porcentagem muita grande do meu trabalho. Creio que o time está mais forte. Não tenho um grupo grande como no ano passado, mas no meu entender com mais qualidade.

Pela temporada que o Confiança fez espera-se muito da equipe para 2015. Qual o caminho que você vai escolher para corresponder a essa expectativa?

– Primeiro você tem que pensar em conquistas. Para isso o jogador tem que acreditar naquilo que o treinador passa para ele. O dia a dia é o mais importante para mim, pois o que ele executar no dia a dia no jogo se torna mais fácil e mesmo assim não se tem a certeza da vitória. Então dentro disso, eu quero que eles foquem no treinamento, melhorar a cada dia. Só assim a gente tem a possibilidade de conquistas. Tem que ser um passo a passo. Temos um Estadual com a Copa do Nordeste, então temos que fazer o máximo nestes torneios. Copa do Brasil e Série C a gente vê mais para frente.

O Confiança foi o último a encerrar a temporada 2014, o primeiro a iniciar a pré-temporada 2015 e tem trabalhado de maneira mais intensa em relação aos concorrentes. Qual tipo de vantagem que o time azulino vai ter neste período de Estadual?

– A importância de um planejamento. A gente sabe que é difícil ter sucesso sem planejar. Dentro disso nós optamos por voltarmos mais cedo. A gente não sabe se vai dar certo ou não, mas do jeito que estamos trabalhando as chances de darem certo aumentam. Só que temos que esperar os jogos.

Hoje em dia o técnico trabalha basicamente com informação. Os adversários começaram a trabalhar de forma tardia e praticamente não fizeram amistosos. Como se planejar e estudar os rivais sem esse tipo de informação?

– Neste momento da preparação, minha maior preocupação é com minha equipe. Tenho que fazer com que os jogadores se entrosem o mais rápido possível. Agora, faltando uma semana para a competição e a partir do momento que começa os jogos aí a gente vai atrás de informação. Mas no momento, estou preocupado com meu time.

O calendário do Confiança é bastante grande para este ano (Estadual, Copa do Nordeste, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro da Série C), para dar conta de tudo isso é preciso, além de qualidade técnica, um elenco mais numeroso. Como vocês estão trabalhando para construir essa condição. Quais são as carências que você observa e pretende fechar elenco com quantos atletas?

– Tudo depende muito do que acontecer durante as competições. O sergipano é tão importante quanto a Série C, pois te dá vaga na Copa do Brasil e a Copa do Nordeste e isso traz recursos financeiros para o clube. A Copa do Nordeste temos uma visibilidade muito grande, passando de fase você está entre os oito melhores da região e isso é importante para ganhar respeito em nível nacional. Dentro disso vou trabalhar com o que tenho e se houver necessidade vamos contratar.  Quero lembrar que para mim, o mais importante é Copa do Nordeste e Estadual. Pois são os torneios que estão próximos. A princípio o grupo está fechado, mas eu sempre digo que as portas não se fecham para bons jogadores. Vou utilizar também a base para dar oportunidades aos meninos.

No Estadual todo mundo vai se motivar para jogar contra o Confiança, afinal é o único time com série. Como você está lidando com isso?

– Acho isso importante, mostra o crescimento do clube e um respeito ainda maior dos adversários. Acho isso importante em qual sentido: meus atletas sabem que vamos ser a equipe a ser batida na competição. Vão querer evitar o bicampeonato, os adversários vão querer mostrar que podem bater o Confiança. Ainda aviso aos meus atletas, os outros jogadores estarão doidos para jogar em nosso time, vocês vão deixar que isso aconteça? Para que isso não aconteça temos que trabalhar. Hoje o Confiança puxa as outras equipes para que elas cresçam também. Eles pensam: O Confiança conseguiu, por que nós também não? Isso vai elevar o nível do futebol no Estado.

Na Copa do Nordeste, o Confiança está em um grupo relativamente complicado, qual a avaliação que faz desta chave e qual o planejamento para conquistar esta classificação, já que nas últimas temporadas os azulinos não conseguiram passar da primeira fase?

– Pensando no Estadual e na Copa do Nordeste, onde estamos em uma chave muito difícil, voltamos mais cedo. Nós vamos pegar um Vitória já com três jogos realizados e com alguns amistosos feitos, então na parte física e no entrosamento tentar tirar proveito. São dois clubes com recursos financeiros bem acima do nosso (Vitória e América-RN). O Serrano é uma equipe que está despontando. Ou seja, são três adversários complicados.

O senhor já falou que o planejamento para a Copa do Brasil será feito mais para frente, mas o Confiança já sabe o adversário, que é o Ceará, qual a avaliação que você faz sobre este primeiro desafio da equipe na competição nacional?

– O Ceará é o mesmo nível de América de Natal e Vitória da Bahia. Uma torcida imensa, uma equipe acostumada a grandes jogos e com poder financeiro muito grande. Além disso, está aqui no Nordeste. Vamos disputar a Copa do Nordeste e eles vão nos assistir assim como nós vamos vê-los. No meu entender temos totais condições de fazer um jogo de igual para igual em casa, pois acredito no meu time. Eu vejo que temos que lutar pela classificação.

Sem dúvida, o desafio mais importante do ano do Confiança é a Série C. Qual a real condição do clube no Brasileiro, briga para se manter ou já dá para ambicionar uma classificação para as fases decisivas?

– Desde que eu cheguei meu pensamento sempre foi o de buscar título e na Série C não vai ser diferente. Sei do pensamento da diretoria, o quanto é importante se manter na terceira divisão, o clube não vive uma fase boa financeiramente, pois existem dívidas, então uma permanência para 2016 vai ajudar demais a zerar estas dívidas. Mas eu vou buscar para o objetivo do acesso, pois com este pensamento na pior das hipóteses você permanece.

O grupo da região na Série C é dos mais complicados. Como fazer para entrar forte nele?

– Temos que tirar o máximo de informação. Até lá podemos fazer isso. Ter um planejamento bem feito, quanto a viagem e descanso do atleta para ter o jogador 100% quando for jogar. Acontecendo estas melhoras, a gente briga de igual para igual com todas as equipes. Existe uma rivalidade natural entre os times do Nordeste, mas temos que pensar em vencer.

Você trabalha em um clube que, nos últimos anos, é o que tem apresentado o projeto mais consistente no futebol sergipano. Como você enxerga esse trabalho e onde acha que o Confiança pode se posicionar no futuro com essa semente que está sendo plantada?

– O Confiança hoje vai trazer um beneficio muito grande para o Estado de Sergipe. Vai forçar as outras equipes a se planejar, se estruturar e conquistar o mesmo êxito do Confiança. Fico feliz por ter vivenciado isso, de ter participado diretamente. Eu vejo uma possibilidade de crescimento aqui, por isso que aceitei continuar. Com toda dificuldade que existe, mas nós podemos fazer coisas grandes. Eu sempre digo para os atletas e diretoria: por que não? Não existe limite. Por que não sermos campeões da Copa do Nordeste, bicampeão sergipano, da Copa do Brasil e da Série C? É difícil? É! Impossível? Não.

Atualmente, os técnicos brasileiros têm recebido muitas críticas por não se atualizarem e estarem com conceitos táticos ultrapassados. Você concorda com esta opinião?

– Eu acho que todos os treinadores gostariam de evoluir, só que há uma dificuldade muito grande devido aos resultados. Eu estive recentemente no primeiro fórum de treinadores, com Parreira, Leão, Dorival Júnior, tinha cerca de 140 treinadores, só que foi o primeiro. Espero que tenham mais, pois os treinadores terão onde buscar informação. Infelizmente tivemos que tomar sete da Alemanha para trocar conhecimentos.

O que você faz para se atualizar? Qual é o seu espelho entre os técnicos brasileiros e estrangeiros?

– Eu tive a oportunidade de jogar e trabalhar com viários técnicos campeões e eu carrego muitas coisas. Virei auxiliar técnico de treinadores importantes e quando me tornei técnico tenho contatos para trocar informações. Treinadores consagrados como Muricy e o Tite agora, sei o que eles passam para conquistar. Os estrangeiros eu respeito muito, mas temos que comparar a estrutura deles com a nossa, mas eu vejo os jogos de outros países para tentar trazer alguma coisa para meu time.

Fonte: Globoesporte.com

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