Crianças trabalhando no Batistão, até quando?

Pequenos torcedores do San Lorenzo comemoram a libertadores 2014 Foto: EFE

Pequenos torcedores do San Lorenzo comemoram a libertadores 2014. Foto: EFE

O Batistão passou dois longos anos fechado e agora reabriu com várias novidades e alguns problemas antigos, o principal deles: trabalho infantil.

Sejam em jogos com público baixo ou em clássicos lotados, o jogo pode ser a tarde ou às 22hs, sempre estarão crianças vendendo balas, amendoin, cerveja… Lugar de criança no estádio é torcendo e brincando, não trabalhando!

O problema

A erradicação do trabalho infantil é debatida desde a redemocratização do Brasil e é matéria de ações dos 3 poderes, por conta disso houve uma redução significativa da exploração da mão de obra de crianças e adolescentes entre 5 e 14 anos: caiu de 8,4 milhões para 3,5 milhões[0]. Esse é um dado importante, mas mostra que ainda temos muito a avançar, afinal esse número é quase o dobro da população de Sergipe.

Como consequência desse alto número de crianças trabalhando, nos últimos anos tivemos cerca de 10 mil casos de acidentes de trabalho envolvendo crianças e adolescentes[1], com 110 mortes.  Os que não encontram esse fim trágico sofrem impactos físicos, psicológicos e educacionais por conta de Fadiga, distúrbios do sono, perda de audição e lesões na coluna[2].

Ou seja, estamos condenando o futuro dessas 3,5 milhões de crianças e adolescentes, incluindo àquelas que nos levam pipoca, amendoim e cerveja no Batistão.

A solução

Como já foi falado, existem esforços dos governos, parlamentos e judiciário para acabar com este número, como o problemas persiste, essas ações devem ser mais efetivas.

Nós como cidadãos, temos que cobrar dessas esferas de poder, deixar de comprar produtos vendidos por crianças durante os jogos e mudar nosso pensamento sobre o assunto com argumento como “É melhor trabalhar do que roubar”, como se só houvesse essas opções à criança.

Quanto ao Batistão, é inaceitável que um estádio construído e gerido com dinheiro público, simplesmente esteja aceitando crianças trabalhando sem que nada seja feito. Por isso iremos encaminhar esse texto à SETESP e esperar que ela tome ações para acabar com o trabalho infantil nas dependências do Batistão.

Por fim, vale ressaltar que acabar a com exploração do trabalho infantil no Batistão pode parecer uma gota d´águano oceano, mas fará muita diferença para as crianças que lá trabalham, além de que só avançamos a partir de ações concretas e exemplos.

 

Saudações azulinas,

Mike Gabriel

Pai de uma menina de 4 anos e que enxerga que cada criança explorada poderia ser a minha pequena Rosa.

PS: A fotos das crianças torcedoras do San Lorenzo é para que o clubismo passe longe desse debate

Referências:

[0] Meta de erradicação do trabalho infantil no País pode não ser cumprida

[1]Nos últimos cinco anos, foram mais de dez mil casos de acidentes de trabalho envolvendo crianças e adolescentes

[2] Impactos e Consequências do trabalho Infantil

 

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