Homofobia e Futebol

Eu já estava preparando esse texto desde a semana passada, eu juro:

 

Com essa polêmica em torno de Emerson Sheik ele acabou se encaixando bem na pauta de debate sobre futebol nessa semana.

Foto "polêmica" publicada no Instagram de Emerson Sheik

Foto “polêmica” publicada no Instagram de Emerson Sheik

Homofobia e Futebol

“Chute com homem, seu viadinho”, “Ei, Juiz! Vá tomar no cu”, “Chupem rosinhas…” (referindo-se a torcida adversária). Por que a homossexualidade incomoda tanto à maioria dos torcedores de futebol? Claro que existe uma resposta rápida: O preconceito que existe na sociedade ecoa nos campos de futebol. Mas será que existe algo além disso? Como combater essa prática tão arraigada no modo de torcer do brasileiro?

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À primeira vista os xingamentos homofóbicos são apenas brincadeiras e que os torcedores jamais espancariam um gay, mas essa é uma meia verdade, pois, ainda que você não espanque ou mate um gay, seu preconceito é combustível para aqueles que praticam tais atos, por isso chamar um colorado de rosinha, no fim das contas, é jogar lenha na fogueira do preconceito e, portanto, matar gays.

Outro ponto a ser analisado é a postura omissão dos clubes que são rápidos em se solidarizar com catástrofes ambientais, ressaltar sua origem negra, italiana, portuguesa, brasileira, PROLETÁRIA… mas não falar uma palavra sobre a homofobia no futebol, mesmo sabendo que existem, existiram e existirão gays em seus times. Desta forma, ao se omitirem, eles escolhem um lado, o do preconceito.

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Felizmente nem tudo é preconceito dentro dos campos de futebol, neles, assim como em todas as partes, existem resistência e coragem expressadas pelas torcidas gays, hoje conhecidas como queer (veja lista no final do post).

As primeiras torcidas gays surgiram no final dos anos 70, especificamente por torcedores do Grêmio de Porto Alegre (Coligay) e Flamengo do Rio de Janeiro (Fla-Gay). Estas torcidas corajosamente enfrentaram a ditadura militar e o preconceito em um tempo em que a palavra homofobia era praticamente desconhecida.

O Grêmio de Porto Alegre deu destaque à Coligay em sua revista oficial

O Grêmio de Porto Alegre deu destaque à Coligay em sua revista oficial

Hoje em dias as torcidas pioneiras não existem mais, mas surge o movimento de torcidas queer, que tem como motivação (além de torcer e apoiar seus times) lutar contra as diversas formas de opressão, com foco na homofobia e se articula via internet. Essas torcidas ainda sofrem muito preconceito, mas também encontram bastante apoio.

Por fim, o recado que queremos deixar é: viva e deixe viver, torça do seu jeito e pelo time que mais se identifica. Quer mangar do seu rival? Mangue, é normal e faz parte da cultura do futebol, mas não transforme essa mangação em combustível para violência e preconceito! Nem precisa participar de movimentos ou levantar bandeiras, simplesmente pare de se referir aos rivais de forma homofóbica, de compartilhar frases/memes preconceituosos nas redes sociais. Assim você já estará contribuindo bastante com o banimento do preconceito no meio do futebol.

Que nossos estádios se encham de homossexuais, heterossexuais, assexuados, pansexuais… enfim, isso não importa. O que importa de verdade é que somos todos(as) torcedores(as) e livres para amarmos da forma que quisermos.

Saudações Azulinas

Mike Gabriel

Fontes:

Antes da Internet, torcedores de Grêmio e Flamengo já criaram organizadas para combater a homofobia

Torcidas Queer e a homofobia nos estádios de futebol. Entrevista especial com Gustavo Andrada Bandeira

 

Torcidas queer no Facebook (caso falte alguma deixe nos comentários)

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