Jogadores de Futebol – Profissionais ou Boleiros?

Salve torcida azulina, depois da saudável polêmica do texto passado, vamos analisar um pouco do profissionalismo (ou sua falta) dentro do futebol.

A ideia desse texto surgiu ainda durante o campeonato sergipano quando torcedores ficavam “denunciando” jogadores que foram pra farra ou ainda questionavam seu baixo rendimento frente ao currículo apresentado antes de ser contratado, diferente em jogos mais “importantes” (como Copa do NE e Brasil) ou ainda pela boa estrutura que o Confiança lhes dava.

Em todos os exemplos o foco ficava no jogador e não no clube que negligenciava esse baixo rendimento. Assim, traçamos um paralelo entre a vida profissional “normal” e os jogadores de futebol.

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Jogadores de Futebol – Profissionais ou Boleiros?

A montagem de um time de futebol profissional geralmente passa por um debate financeiro do tipo: quanto mais dinheiro disponível para investir melhor o resultado. Assim, o time com mais dinheiro logo será o campeão, certo? Nem sempre. Um dos diferenciais, para além do dinheiro, é o profissionalismo.

A lógica financeira acima descrita funciona bem em lugares onde o profissionalismo (para o bem e para o mal) já está avançado e/ou o desequilíbrio entre os times é gritante. Assim os grandes times de determinados lugares se destacam dos demais por terem maior investimento, ainda que entre eles haja equilíbrio. Assim, o investimento pesado pode destacar seu time da “multidão”, mas não garante resultados e títulos.

Trazendo esse lero-lero para a nossa realidade (futebol sergipano), tivemos algumas experiências com o Confiança nos últimos anos, onde montamos times (no papel) um pouco melhores que os demais, mas que não refletiu essa superioridade em campo por alguns motivos, dentre eles a falta de profissionalismo.

Antes de tudo, temos que levar em conta que o nível atual do futebol sergipano (estamos na torcida para que melhore) não se compara ao futebol de grandes centros do país ou de fora do país, assim, raramente teremos aqui um jogador que mesmo disperso, cansado, de ressaca… poderá fazer uma jogada impressionante e salvar o time, por isso uma estrutura e sistemática profissional é um dos caminhos para o sucesso.[1]

Até perder pro Alcoolismo sempre deu conta do recado

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Assim, o jogador de futebol não pode jogar apenas com o currículo e nem pode deixar de cumprir sua tarefa sem ser punido. Por outro lado, ele como prestador de serviço para um clube não pode sua privacidade comprometida em nome do mesmo. Ou seja, o jogador foi contratado para prestar um serviço, se o fizer a contento, ótimo, senão é punição ou demissão.

Porém, o que vemos são várias desculpas para “cobrir” a deficiência profissional dos jogadores: “gosta de noitada”, “não se encaixou na filosofia do treinador”, “não se identificou com o clube” e por aí vai. Ou seja, cria-se uma cortina de fumaça de subjetividades, o clube perde dinheiro e a torcida é desrespeitada como aconteceu com a gente esse ano.

Na minha visão, os clubes deveriam implantar uma política de real profissionalização de seus jogadores, assim como é na vida dos trabalhadores “normais”: temos horários e metas a cumprir, se não cumprir e/ou fizer corpo mole tem punição, se ficar repetindo ações passíveis de punição é demissão.

Desta forma, melhoraria para o jogador que seria avaliado por critérios claros e justos, para o clube que não perderia investimentos e para a torcida que veria partidas com maior nível técnico e mais entrega dos jogadores. Enquanto isso não acontece iremos ficar xingando os jogadores de chinelinho, de cachaceiros, preguiçosos… e nada vai mudar.

Nota:

[1] Estou simplificando o texto para fins didáticos, mas o futebol em si depende de sorte, unidade do grupo, sintonia… coisas que não temos como medir ou implementar “racionalmente”.

[social-bio]

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