Morro de tentar, mas não desisto? Ou cai Daniel, ou cai o Confiança

Foto: Lucas Almeida/ADC

Por Jones Ribeiro

Era dia 4 de dezembro de 2020. O Confiança vencia o Vitória de virada, no Barradão, por 3 x 2. Aquela partida marcava o fim da última boa sequência do clube, seja em matéria de desempenho ou de resultado. O time vinha de triunfos contra Cuiabá e Cruzeiro e de empate diante do Figueirense. De lá para cá, apenas lampejos de bom futebol.

É preciso reconhecer o quanto Daniel Paulista ajudou o Confiança nesses dois anos: pegou os cacos de um time em 2019 e alcançou a Copa do Nordeste de 2020 (depois de playoff diante do Sampaio) e o tão sonhado acesso à série B depois de 28 anos; deu o choque de gestão que o clube precisava, com críticas públicas que estimularam a melhoria no Estádio Sabino Ribeiro; influenciou a profissionalização de vários setores; devolveu a autoestima da massa azulina; nos livrou do rebaixamento na B de 2020 e nos levou até a sonhar com a série A.

Esse legado, porém, não pode ser escudo para um trabalho que, pela natureza do esporte, precisa ser constantemente reavaliado. Por isso, é necessário considerar os dois últimos momentos do Confiança, do ano passado para cá.

A reta final da série B

Nas 12 rodadas finais da competição, o clube acumulou 9 derrotas, duas vitórias e um empate, levando o time da 6ª colocação na 26ª rodada, para a 15ª na rodada 38.

Naquele momento, a queda de rendimento foi atribuída à falta de recursos para reforçar o time na fase final, à contusão de Ítalo, um dos atletas mais importantes na temporada passada, à baixa no desempenho de peças fundamentais para o esquema de Daniel Paulista, como Silva e Castilho. Ao final da competição, o clamor geral (não o meu) era de uma “limpa” no elenco, para que Daniel pudesse montar o elenco ideal.

O início da temporada 2021

Pois bem. Veio a temporada 2021 e com ela uma ampla reformulação do elenco em praticamente todas as áreas, com Daniel Paulista conduzindo esse processo. Daniel e sua equipe, aliás, são apenas o segundo ponto de convergência com 2020; o outro é o mau desempenho no sprint final na B passada.

Já são 15 partidas. O retrospecto é de 5 vitórias (Gloriense, Pedrinhas, Freipaulistano, Sergipe e Sport), 6 empates (CSA, ABC, Salgueiro, Vitória, Botafogo e Gloriense) e 4 derrotas (Altos, 4 de Julho, Itabaiana e Fortaleza). O caldo é de duas eliminações, nas copas do nordeste e do Brasil, e a segunda colocação do grupo, no campeonato estadual, decidida apenas no critério de desempate (apesar dos dois jogos a menos a cumprir).

Se os resultados são ruins, o desempenho é pior ainda. Basta lembrar do gol impedido que garantiu a primeira vitória no ano, do quão frágeis são Pedrinhas e Freipaulistano e a péssima fase vivida pelo Sergipe. O time foi derrotado por três equipes de divisões abaixo, da C e da D. A cereja desse bolo solado foi a tragédia de ontem, em Glória. A única boa partida no ano foi diante do Sport, na ilha do retiro, mesmo com a crise vivida pelo leão de Recife. Além disso, talvez o primeiro tempo contra o CSA, em jogo realizado em Lagarto.

Na condução do barco azulino, Daniel Paulista parecer ter atingido o teto. Seus esquemas não funcionam, ele não extrai o melhor dos jogadores, suas entrevistas estão fora do tom e sua atitude à beira do gramado demonstra que parece não ter mais forças.

Reconhecer isso não é culpar apenas o treinador. A diretoria é sim a maior culpada pelo mau momento e os atletas também têm sua parcela de contribuição. Mas, há pouco mais de um mês do início da série B (competição mais importante do ano), não dá pra puxar o fora Hyago e nem um processo de demissão em massa dos jogadores.

Tudo na vida é feito de ciclos e o de Daniel Paulista no Confiança parece ter chegado ao fim, pelo menos nessa passagem. Todo azulino será eternamente grato, como somos a Betinho. Mas não dá mais.

* Jones foi jogador profissional atuando pelo Confiança e faz parte do Bancada Azulina