Portões abertos: Futebol como direito, lazer e identidade cultural

Salve galera azulina, o texto de hoje é sobre o direito ao futebol e, por consequência, tornou-se uma proposta de alavancar o esporte em nosso estado. Fiz a defesa dos portões abertos analisando a questão orçamentária do estado, ainda que pra mim esse não seja o principal argumento, mas temos que nos adiantar aos chatos que sempre perguntam de onde viria o dinheiro.

Para levantar os dados tive uma facilidade, já que a Wkipedia estruturou bem os dados do campeonato de 2013 e uma dificuldade de encontrar uma versão entendível do orçamento do governo de Sergipe para 2013. Mas no final tudo deu certo e o texto está aí, curtam e compartilhem por esse deu um trabalhinho adicional.

Clássico de casa cheia e portões abertos  - Foto: Filippe Araujo

Clássico de casa cheia e portões abertos – Foto: Filippe Araujo

Portões abertos: Futebol como direito, lazer e identidade cultural

O futebol para além do esporte em si e dos negócios, deve ser encardo também como aspecto cultural e integrador e por isso deve ser facilitado o acesso do torcedor ao mesmo. Assim, defendo que os jogos tenham portões abertos para que o torcedor possa comparecer em bom número aos estádios, reforçando o caráter cultural e de identidade do futebol.

Há muito os valores arrecadados com bilheteria não é a principal fonte de renda dos clubes de futebol no Brasil e no mundo. Os patrocínios e direitos de TV são as principais fontes de renda, no caso futebol sergipano os direitos de TV praticamente inexistem, bancam os clubes, então, os patrocínios e governos municipais[1] e estadual.

No caso específico do futebol sergipano só tivemos casa cheia mesmo nos dois clássicos Confiança e Sergipe (com portões abertos) e nas finais, tanto é que a média de público foi de 830 torcedores por partida, que gerou uma média de R$ 7.855,00 de renda por partida, ou, em números gerais, algo em torno de 950 mil reais. Valor facilmente subsidiado pelo governo do Estado. Vamos ver por que.

O orçamento (vide referências ao final do texto) da secretaria estadual de esporte e lazer está por volta de 9,5 milhões de reais, dentre os quais já existe destinação para entidades esportivas de algo em torno de 2,8 milhões de reais. Já a secretaria de cultura dispõe de pouco menos que 22 milhões de reais em seu orçamento e a reforma do Batistão está custando outros 15 milhões de reais.

De todos estes valores só precisaria de 1 milhão para igualar as bilheterias de 2013 (sendo que algo em torno de 180 mil já foi subsidiado pelo Estado e Município de Aracaju nos dois Clássicos), proporcionando portões abertos em todos os jogos do campeonato sergipano e, pelo menos, triplicando a média de público do nosso campeonato.

E quais as vantagens disso? A primeira e fundamental é democratizar mais uma opção de lazer aos trabalhadores sergipanos que na maioria das vezes não têm R$20,00 para pagar o ingresso. Consequentemente, teremos mais pessoas frequentando os jogos, o que gera mais renda para os ambulantes, que comprarão mais mercadorias, movimentando o comércio que gerará mais impostos, e com isso parte do investimento retorna para o próprio estado[2].

No jogo contra o Olímpico, poucos torcedores - Foto: Filippe Araujo

No jogo contra o Olímpico, poucos torcedores – Foto: Filippe Araujo

Para os clubes a vantagem será uma presença maior de sua torcida nos jogos, algo que influencia na motivação dos jogadores e dirigentes e com mais pessoas frequentando os estádios, mais se falará do campeonato e o futebol local será mais valorizado, assim facilita a chegada de patrocinadores e o aumento dos valores investidos.

Essa é uma proposta e espero que ela seja apreciada pela administração pública de Sergipe, com certeza existem outras implicações, mas o central foi exposto acima. Ademais, se quisermos mesmo alavancar o futebol sergipano temos que ser ousados e criativos e essa proposta busca por isso.

Saudações Azulinas,

Mike Gabriel

Nota

[1]Essa relação costuma ser bem clientelista, mas isso fica pra outro texto.

[2]Talvez esses valores sejam irrelevantes para Aracaju, Itabaiana, Estância e Lagarto, mas para municípios menores ajuda bastante.

Referência

Campeonato Sergipano de 2013 – Wikipédia

Orçamento da Secretaria de Esporte e Lazer

Orçamento da Secretaria de Cultura

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