Times da Série C vão à CBF por cotas de TV e mudanças no regulamento

Dispostos a transformar a Série C do Campeonato Brasileiro em algo rentável ou menos deficitário para os clubes participantes, 18 dos 20 presidentes/representantes que integram a terceira divisão nacional estiveram nesta segunda-feira na sede da CBF para propor mudanças, tanto no regulamento quanto na comercialização e exploração dos direitos de transmissão da competição.

Com passagens aéreas pagas pela própria entidade que comanda o futebol, os cartolas – exceto do Botafogo-PB e do Moto Club-MA – estiveram reunidos durante aproximadamente duas horas com o presidente Marco Polo del Nero, juntamente com o vice e presidente da Federação Paulista, Reinaldo Carneiro Bastos, e o secretário-geral da CBF, Walter Feldman.

Dentre as propostas levadas, duas encabeçam as reivindicações dos clubes: a negociação e venda dos direitos de transmissões televisivas e via internet e a mudança no regulamento da competição.

De acordo com o presidente do Botafogo-SP, Gerson Engracia Garcia, eleito como um dos representantes dos clubes – juntamente com os presidentes do Fortaleza, CSA-AL e Bragantino -, a abertura para diálogo da CBF deixou todos otimistas e com boas perspectivas para transformar o Brasileiro em um campeonato viável para os clubes – e também para a CBF.

– Foi um primeiro encontro, bastante positivo, onde notamos uma abertura muito importante por parte da CBF. Eles estão dispostos a transformar a Série C em algo maior, como é feito na Série B, com cotas de TVs para os clubes. O campeonato fica mais atrativo, o nível técnico melhora e mais pessoas vão aos jogos – declarou o presidente Gerson Engracia Garcia, que citou a média de público de torcidas como do Fortaleza, Remo e do próprio Botafogo, para justificar o interesse e aceitação comercial.

Quadrangular valendo acesso

Outro ponto bastante discutido, mas ainda embrionário, é a mudança do regulamento da competição. Até o ano passado, os 20 clubes eram divididos em dois grupos regionalizados. Os dois últimos eram rebaixados, e os quatro melhores avançavam e disputavam um mata-mata, valendo o acesso.

A ideia apoiada pela maioria dos cartolas presentes, segundo Gersinho, é criar dois quadrangulares a partir da mesma primeira fase, com 1º e 4º de um grupo, mais 2º e 3º do outro. Com jogos de ida e volta, os dois melhores garantiriam o acesso após seis jogos e fariam as semifinais da Série C.

– Essa mudança não afetaria o calendário pois seriam duas datas a mais. Poderíamos colocar jogos às quartas-feiras na primeira fase. Os times não dependeriam apenas de dois jogos para subir para a Série B – explicou.

Nos próximos encontros, os representantes de Botafogo-SP, Bragantino, Fortaleza e CSA-AL tomarão a frente das negociações, levando em consideração a opinião dos 20 clubes. Ainda não há uma data marcada, mas a CBF prometeu entrar em contato com televisões e sites para iniciar a negociação entre as partes.

– Todos os clubes passam pelo mesmo problema, que é o financeiro. Do ponto de vista institucional, ganhamos voz dentro da CBF. A própria entidade nos disse que a conta não fecha, pois existem gastos com doping, arbitragem, viagens, logística. Organizando, conseguiremos tornar o campeonato viável – disse o presidente do Botafogo.

As mudanças, segundo Gerson Engracia, devem ser implantadas no calendário 2017. O Campeonato Brasileiro da Série C tem início em maio, ainda sem data definida.

Fonte: Globoesporte.com