Rival: Ricardo Silva fala sobre saída do Serrano-BA e declarações sinceras: ‘A gente não tem varinha de condão’

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Ricardo Silva deixou o comando técnico do Serrano-BA após o empate contra o Confiança, em 1 a 1, pela terceira rodada da fase de grupos da Copa do Nordeste. Nas transmissões exclusivas do certame regional, o treinador se destacou pela sinceridade em suas palavras no microfone do Esporte Interativo.  Com declarações fortes e por vezes, cômicas, Ricardo Silva se tornou uma das figuras mais importantes do rubro verde. Em entrevista a reportagem do Esporte Interativo, o treinador abriu o jogo e falou sobre sua saída do Serrano-BA e explicou suas declarações, nem sempre compreendidas. De acordo com o ex-técnico, a entrega do cargo de comando se deu pela falta de contratações para estruturar um elenco competitivo e já que o rubro verde estava apenas participando das competições sem condições de disputar ares maiores, optou pela saída para preservar sua imagem e o bom convívio com a direção e jogadores.

“Deixei (o cargo) porque eu achei que o Serrano-BA não estava preparado para duas competições ao mesmo tempo, que é o Campeonato Baiano e a Copa do Nordeste. Os dirigente são muito gente boa, mas não fizeram muitas contratações. Então estava para participar só. E eu não gosto de participar. Gosto de entrar para ganhar. Achei que o plantel precisaria de melhoras. Por questões financeiras alguns jogadores pediram um salário mais alto e não fecharam. A base que ficou foi da Copa Governador (Competição entre as seis melhores equipes da elite do futebol Baiano e o campeão e vice da segunda divisão) e ela não dá um predicado, um parâmetro para a Copa do Nordeste. Então achei que a melhor opção para mim, para não me desgastar tanto também, seria pedir demissão. Nos jogos contra o América-RN e Vitória repetimos nove jogadores. E no jogo contra o Confiança foram só cinco. O time já deu uma melhorada. Então o meu ponto de vista não estava errado, tínhamos que melhorar a equipe com contratações. E das que eu pedi foram só contratados o Deon, atacante, e o Bida, que veio um pouco acima do peso, mas estava procurando emagrecer. Ele até pediu para ir embora também. Quanto ao pessoal, presidente e a diretoria, me pagaram tudo que eu tinha direito.”

Ricardo Silva revelou que a gota d’água foi o empate contra o Confiança. Na ocasião, a equipe baiana visitava o Dragão sergipano e vencia, com um a menos, por 1 a 0, em um gol marcado por Deon, aos 45 minutos do segundo tempo. Após as redes balançarem, o volante Moisés provocou os reservas do Confiança e a torcida azulina e acabou expulso. Três minutos depois, o Serrano-BA sofreria o gol de empate. Segundo o treinador, o episódio definiu os rumos de seu destino.

“A última foi no jogo contra o Confiança. Aos 37 minutos do segundo tempo tive um jogador expulso. Aos 45 fiz um a zero. Aí quando fizemos um a zero, um jogador meu foi lá azucrinar a torcida, fazer gesto para a torcida. Isso nos prejudicou. Acabou sendo expulso e tomamos o gol aos 48 minutos. Fiquei muito chateado com esse jogo. Já andava chateado com algumas coisas. Não com a diretoria. Mas com contratações. Porque eles pensaram que era um time bom. Mas a gente não tem varinha de condão para fazer o time ficar bom. A gente tem trabalho, trabalho tático, trabalho técnico.”

O treinador também falou sobre os jogadores do Serrano-BA. De acordo com Ricardo Silva, seus ex-comandados, que ocupam a lanterna do Grupo A, na Copa do Nordeste, tem bom futebol, mas lhes falta ainda malícia. De acordo com o ex-técnico, alguns atletas se desculpavam por erros, após as partidas, e no futebol não tem espaços para desculpas. Ainda sobre as derrotas da equipe, destacou que o fato do clube atuar longe de seus domínios, mesmo como mandante, pesaram contra desempenhos melhores nas partidas.

“Aconteceu também muito que os jogadores tem uma índole muito boa e falhavam e vinham me pedir desculpa. Pediam desculpa para todo mundo. Para o plantel, para mim. E no futebol não tem espaço para desulpa. No futebol se você falha vai acontecer alguma coisa. Pedir desculpa parece que vocês está querendo se isentar de alguma responsabilidade. E a responsabilidade existe. Tanto para o treinador, quanto para o jogador, que também tem que responsabilidade dentro do campo. Não tem que pedir desculpa. Errou tem que procurar não errar mais. O jogo contra o América-RN, que eu tomei 5 a 1, também. Depois do jogo um jogador foi pedir desculpa para mim e para o grupo. Aí no jogo contra o Vitória ele tinha que ter marcado o Jorge Wagner e não marcou. Falhou depois em outra bola e me pediu desculpa. Então é um time de bons jogadores, com índole boa, com seres humanos bons, mas para a Copa do Nordeste tinha que ter um time melhor. Também não estávamos tendo mando de campo. Jogar em casa no campo que você treina, junto com a torcida, favorece um pouco e nós só jogamos partida fora. Vai ter agora que nosso mando será em Porto Seguro. Antes tínhamos que sair para jogar. Então achei melhor para não desgastar minha imagem com os jogadores, já que a gente fica muito chateado e nervoso, pedir demissão.”

Em um momento de descontração da entrevista, Ricardo Silva falou sobre suas declarações bastante sinceras e explicou o que quis dizer ao declarar, no fim da partida em que o Serrano-BA acabou derrotado, de virada, para o Vitória, por 3 a 1, no Barradão, pela segunda rodada da Copa do Nordeste. Na ocasião, o treinador disse: ‘Jogador tem que ser inteligente. Quando estávamos ganhando de 1 a 0 parecia que a gente era o Bayern de Munique. A gente tá jogando contra um time grande. O Vitória tem um time bom, um excelente treinador e excelentes jogadores. A gente tem que saber que nós somos pequenos. Nós temos que jogar como time pequeno. Se jogar como time pequeno, a gente consegue nossos objetivos. Se não vamos passar vergonha’

“É o seguinte. O Serrano-BA pode não ser o time pequeno. Quem faz o Serrano-BA grande são os jogadores. O jogador tem que ter dentro dele o estímulo de ser grande, o jogador não pode se sentir pequeno. Se eu me sentir pequeno eu estou morto. O que eu quis dizer foi que o jogador tem hora que tem pensar que se ele está ganhando do Vitória, tem que jogar com a mesma garra de antes, não pode achar que ele é isso ou aquilo. Achar é um sonho. E isso não é um sonho. É a realidade do futebol. O Serrano-BA tem que jogar como time pequeno. Os jogadores tem que entender que o Serrano-BA é pequeno, mas eles são grandes. Aí vão enfrentar os outros de igual para igual. Não tem que pensar: ‘Nesse momento estou ganhando. Eu sou bom para caramba’. Não. Tem que ter a atitude de ser pequeno, mas dentro de você ser grande. Mas durante o jogo saber sua realidade. O time pode ser o que for, mas o jogador tem que se sentir grande dentro dele, sabendo de suas limitações. Aí se consegue os seus objetivos. Exemplo no jogo contra o Confiança. Aos 45 minutos do segundo tempo a gente faz o gol, está ganhando, e vai um jogador meu brigar com a torcida. Foi expulso. Prejudica a equipe.”

Fonte e Foto: Esporte Interativo

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