
A paisagem do Batistão está prestes a mudar — ou melhor, voltar a ser o que era. Após quase duas temporadas de um “limbo” burocrático e visual, o torcedor proletário vislumbra o fim da proibição que descaracterizou a festa nas arquibancadas. Uma movimentação na Câmara Municipal de Aracaju (CMA) e no Ministério Público sinalizou que o retorno das torcidas organizadas com sua identidade completa é, finalmente, uma realidade palpável para o Campeonato Sergipano de 2026.
O vereador Miltinho Dantas trouxe à tona o desfecho de uma novela que se arrasta desde o início de 2024: o cadastramento obrigatório das organizadas. O tema, que parecia esquecido nas gavetas governamentais, foi debatido em reunião com o Ministério Público de Sergipe (MP-SE), a Polícia Militar e lideranças das torcidas, incluindo as Torcida Jovem e Trovão Azul.
O fim de um longo período de restrições
Para entender o peso dessa notícia, é preciso olhar para o retrovisor. Em fevereiro de 2024, após uma sequência lamentável de conflitos que culminou em uma morte antes do clássico entre Confiança e Sergipe, o Governo do Estado tomou uma medida drástica: proibiu a entrada das torcidas organizadas nos estádios.
A determinação criou um cenário surreal no futebol sergipano. Durante o restante da temporada 2024 e por todo o ano de 2025, as torcidas seguiram presentes, mas “invisíveis”. Apenas as baterias eram permitidas para manter o ritmo, mas o visual tradicional foi banido. Nada de faixas, camisas, bonés, bandeirões ou qualquer indumentária que identificasse os grupos. O Dragão jogou, mas a identidade visual da sua massa mais vibrante foi forçada a se esconder atrás de roupas comuns.
A ironia, que não passou despercebida por quem vive o dia a dia do Sabino Ribeiro, é que a condição para o retorno sempre foi o cadastramento dos integrantes. O governo exigiu o cadastro, mas nunca disponibilizou a ferramenta ou organizou o processo de fato, deixando as torcidas em um vácuo regulatório por quase dois anos.

A tecnologia entra em campo (com atraso)
Somente agora, na reta final de 2025, o sistema prometido sai do papel. Durante a reunião relatada por Miltinho Dantas, representantes da Agência Central de Inteligência da Polícia Militar (ACI/PMSE) confirmaram que a tecnologia está em fase final de implantação.
Segundo o vereador e presidente da Federação Sergipana de Futebol (FSF), o sistema será um marco. “Trata-se de um instrumento moderno, que permitirá às forças de segurança atuarem de forma integrada e eficiente”, ressaltou Miltinho. A promessa é que o banco de dados seja gerido pela Inteligência da PM, garantindo que apenas torcedores identificados e sem restrições judiciais tenham acesso aos setores das organizadas.
A própria torcida, interessada em resolver o impasse e voltar a colorir o estádio de azul e branco, sugeriu a logística: o cadastramento deve ocorrer nas sedes dos clubes, incluindo o Sabino Ribeiro e o João Hora. Essa postura proativa das lideranças reforça o compromisso em virar a página da violência e focar no apoio ao time.

Cadastro é solução mágica? A visão racional
Embora o cadastramento seja um passo fundamental para cumprir a Lei Geral do Esporte e devolver a festa completa ao Batistão, o torcedor consciente sabe que burocracia, por si só, não acaba com as brigas.
O retorno das faixas e camisas da Torcida Jovem e Trovão Azul em 2026 é uma vitória da cultura do futebol, mas exige vigilância. Espera-se que, além da coleta de dados, o poder público implemente estratégias de inteligência e policiamento preventivo eficazes no entorno dos estádios e nos terminais de ônibus — palcos frequentes dos confrontos que mancharam o campeonato em 2024.
O diálogo celebrado entre o procurador Deijaniro Jonas, a PM e as torcidas é o pontapé inicial. Mas, para que o futebol sergipano seja realmente seguro e acolhedor, a execução desse plano precisa ser impecável. O torcedor do Confiança fez sua parte, aguardou pacientemente (e descaracterizado) por dois anos. Agora, a bola está com as autoridades para que o espetáculo volte a ser completo, na bola e na arquibancada.
Texto gerado por Inteligência Artificial e corrigido por Mike Gabriel







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